Captura e edição de vídeo
Além de assistir DVDs, você pode capturar vídeos usando uma placa de captura ou uma câmera DV conectada via Firewire. A partir daí é possível editar os vídeos, comprimi-los em Divx para gravar num CD ou até mesmo criar seu próprio DVD doméstico. Também é possível fazer edição de vídeo para fitas VHS ou para a TV. Ainda não existe nada tão amigável quanto o iTunes do MacOS X por exemplo, mas os programas disponíveis já oferecem bons recursos.
As placas de captura suportadas incluem vários modelos da Pixel-View, Pinaccle, AccuView, miroVIDEO, Diamond, além de vários modelos com chipsets ATI e nVidia. Nem todos os modelos são suportados, mas a lista já é bem extensa.
O Mandrake, Red Hat e SuSE são capazes de detectar placas suportadas durante a instalação. O Mandrake oferece inclusive uma ferramenta no painel de controle que detecta automaticamente placas de captura e de recepção de TV recém instaladas.
Para as placas de recepção de TV você pode usar o XawTV, incluído no Mandrake e outras distribuições. Ele é um programa simples que exibe o sinal vindo da antena ou câmera e permite capturar screenshots e trechos de vídeo. Ele pode ser usado também com webcans. A página do projeto é a http://bytesex.org/xawtv. O nome do pacote é "xawtv", ele está disponível na maioria das distribuições.
Se você não se contentar com a interface simples do XawTV, experimente o TvTime. Ele é um projeto relativamente novo, mas que oferece uma qualidade de imagem bem superior, graças ao uso da biblioteca libdscaler. No site estão disponíveis pacotes para várias distribuições, incluindo o Red Hat, SuSe, Mandrake, Gentoo, Slackware e outros. No Kurumin você pode instala-lo usando o comando: apt-get install tvtime libdscaler
Existem duas possibilidades para conectar sua câmera de vídeo. Caso você tenha uma câmera VHS tradicional você precisará de uma placa de captura de vídeo suportada. Caso você tenha uma câmera mais moderna já com uma saída Firewire a coisa já fica mais simples, pois nas distribuições recentes a porta Firewire é detectada e ativada automaticamente através do hotplug.
A maior parte dos programas de edição que cito aqui são capazes de obter o vídeo tanto através da porta Firewire quanto através de uma placa de captura de vídeo. A partir daí você pode editar, aplicar efeitos e comprimir o vídeo em mpg, divx ou outro formato e gravá-lo num CD ou DVD.
Se você está procurando algo mais sério, para edição profissional de vídeo, uma das opções mais poderosas é o Cinelerra, que você pode baixar no:
O Cinelarra é software livre, além de extremamente poderoso ele oferece uma interface de programação que permite o desenvolvimento de plug-ins para adicionar efeitos e funções diversas. Outra vantagem é o custo: o fato de ser gratuíto permite que você invista mais dinheiro em hardware e em aprendizado, melhorando suas condições de uso da ferramenta.
O Cinelerra é voltado para o segmento profissional, para quem precisa editar vídeo em alta resolução, sem compactação, editar as faixas de áudio, usar efeitos diversos e só depois comprimir o vídeo em MPEG2 ou Divx para a distribuição. Como dito na página oficial: "Editem dois tipos de usuários de editores de vídeo: produtores que criam novo conteúdo, voltando a ele no futuro para refina-lo cada vez mais e consumidores que desejam apenas comprar este conteúdo e assisti-lo. O Cinelerra não é destinado aos consumidores".
O ponto forte do Cinelerra é o suporte nativo a clusters, ideal para quem precisa editar vídeo em alta resolução e precisa de um sistema muito rápido. Com o preço de um Mac high-end e software é possível montar um cluster de 4 ou 6 PCs com o Cinelerra, o que naturalmente ofereceria um desempenho superior.
Embora os Macs sejam muito usados para edição de vídeo pela facilidade de uso de programas como o iTunes, o desempenho do hardware é sempre muito inferior ao de um PC na mesma faixa de preço, quanto mais de um cluster deles :-)
O cluster é opcional, mas é recomendável para editar vídeo em alta resolução, sobretudo DHTV. Com uma quantidade suficiente de servidores é possível aplicar efeitos pesados em tempo real. Cada um processa um determinado número de frames e eles são seqüenciados no seu PC principal.
Basicamente, você deve compartilhar a pasta onde estão armazenados os arquivos de trabalho no PC principal via NFS ou Samba (mais detalhes no capítulo 5 deste livro) de modo que ela possa ser acessada pelos demais servidores do cluster. Todos passam então a trabalhar como se fossem um único computador, lendo o arquivo original, aplicando os efeitos desejados e em seguida salvando o resultado, quadro a quadro. Apenas o seu micro de trabalho precisa de teclado e monitor. Os demais podem, uma vez configurados, trabalhar ligados apenas no cabo de rede. É possível utilizar até mesmo PCs sem HD, dando boot através da ROM da placa de rede.
Os requisitos de máquina para o Cinelerra são altos, a configuração recomendada é um dual Athlon com de 512 a 1 GB de RAM, 200 GB de HD (preferencialmente RAID, já que vídeo sem compressão exige muito I/O) e placas Gigabit Ethernet para uso em clusters (novamente pela carga de I/O).
Naturalmente, esta é a configuração recomendada para uso profissional, o programa também roda em PCs "normais" mas o desempenho vai depender da resolução dos vídeos com que você pretende trabalhar.
Para conhecer todos os recursos do programa, é indispensável dar uma boa lida no manual, disponível no: http://heroinewarrior.com/cinelerra/cinelerra.html
Mais uma opção de ferramenta profissional é o MainActor (comercial) que pode ser encontrado no http://www.mainconcept.com/
Muitos comparam o MainActor ao Apple iMovie, tamanha quantidade de recursos e facilidade de uso. No site você pode baixar uma versão demo, ela oferece todos os recursos da completa, mas adiciona uma marca d'agua a todos os vídeos gerados a partir dela, inviabilizando o uso profissional. Ao comprar a licença você recebe um serial que destrava a sua cópia, sem que seja necessário reinstalar.
O demo disponível no site vem apenas em versão RPM. O pacote é estaticamente compilado (inclui todas as bibliotecas de que precisa) de modo que você não terá problemas para instala-lo em várias distribuições. Para instala-lo no Debian ou Kurumin, use o alien (disponível via apt-get) para transformar o pacote num .deb e depois instala-lo.
Outro excelente programa, na mesma linha do MainActor é o Jahshaka que pode ser baixado no: http://www.jahshaka.com
O Jahshaka é um programa de edição e criação de efeitos em tempo real, algo similar ao Adobe After Efects. Você pode usá-lo para inserir trilha sonora, legendas, créditos e criar efeitos diversos dentro de uma interface bastante intuitiva. Outro ponto positivo é que ele é open-source e tem evoluído muito rapidamente.
Mais uma opção é o Kino, disponível no: http://kino.schirmacher.de . Ele é um editor de vídeo não linear com suporte a câmeras digital vídeo (DV), conectadas ao PC através de uma porta Firewire. Ele é capaz de capturar vídeo em RawDV e AVI, tanto em formato DV type-1 DV quando type-2 e também permite gravar o vídeo editado de volta para a câmera.
O Kino vem também com vários efeitos prontos, incluindo efeitos de transição, filtros de vídeo e audio e uma API própria que permite desenvolver efeitos novos.
Um dos pontos fortes é a facilidade de instalação. No site você encontra pacotes RPM compatíveis com várias distribuições e ele também está disponível via apt-get, basta dar um "apt-get install kino". No Kurumin você encontra um ícone mágico para ele no menu Vídeo Som e Multimídia.
Se você está procurando algo mais simples e fácil de usar, uma boa opção é o MJPEG que permite editar vídeos capturados com o XawTV. Os recursos de edição são simples, limitados basicamente a copiar e colar trechos de vídeo e comprimi-lo em MPEG. A página do projeto é a: http://mjpeg.sourceforge.net
Você pode encontrar uma lista de links bastante abrangente, que inclui projetos não citados aqui no: http://www.exploits.org/v4l
Caso você queira gravar seus vídeos em DVD, use o K3B, que oferece este recurso a partir da versão 1.0.



